Wednesday, November 15, 2006

Segurança Alimentar na Produção de Organismos Aquáticos

Na edição de Abril de 2007, da revista Feed & Food, nas páginas 16 até 23 apresenta a matéria
"Segurança Alimentar na Produção de Organismos Aquáticos". São vários especialistas apresentando várias opiniões sobre o conceitos da Segurana Alimentar na Produção de Organismos Aquáticos.
Considerei o testo importante devido ao tema das exportações que o País está fazendo com Tilápia, em particular empresas que exportam para a Europa e que terão com certeza problemas com a lei 178/2002 caso não disponham de sistemas eficientes de rastreabilidade.

No caso da Aquacultura Brasileira, a rastreabilidade eletrônica poderá dar ao cliente Europeu uma visão da segurança proposta, sistema de limpeza e sanidades adotadas e a virtude do produto nacional. Isto em muito contribuirá para as exportações do Produto Brasileiro, auxiliando-o na conquista de uma fatia maior de mercado em áreas onde o produto poderá crescer com grande possibilidade, caso consiga demonstrar a segurança da cadeia produtiva de acôrdo com as conformidades fixadas pela CE.

Abaixo, transcrição completa do Forum - Segurança Alimentar, da pagina 16. Assim temos:

"Devido ao potencial de produção de organismos aquáticos no Brasil, e para atender as constantes exigências do mercado internacional, trazemos a opinião dediversos especialistas que comentam como disponibilizar ao consumidor final um alimento seguro, respeitando o meio ambiente.

Entrevista com o Senhor João Manoel Cordeiro Alves - Gerente de Produtos para Aquacultura, Guabi Nutrição Animal.

F&F - De que maneira as excreções dos metabólitos (fezes e urina) produzidas pelo orgnaismos aquáticos criados em sistema de confinamento, interferem na qualidade da água de cultivo e nos efluentes?

João Manuel - De maneira contrária a dos animais terrestrres as excreções dos organismos aquáticos não podem ser recolhdias, uma vez que dissolvem ou ficam em suspensão na água de cultivo. Nitrogênio e Fosforo são os principais elementos que interferem na qualidade da água. Rações podem ser a principal fonte. A retirada de nutriente se dá através de troca de água o que pode provacar problemas no corpo de água que receberá os efluentes. Nem todo nutriente é eliminado pela água que saí do sistema, boa parte dele é fixada no fudno dos viveiros através da ação de microorganismos. Rações com baixa digestibilidade produzem maior quantidade de excremento e portanto poluem mais o ambiente, por isto escolher a dieta adquada permite, além de maior desempenho, menor aporte de nutrientes para o ambiente e, assim preserva-se a qualidade da água, tanto de cultivo, quanto da água que sai dos viveiros. A qualidade da água é um dos fatores estressantes que interferem negativamente tanto na saúde dos peixes como no desempenho produtivo. Algumas enzimas podem permitir o uso de menores teores de Fósforo total nas dietas, através do aumento da digestibilidade deste nutriente, no entanto os custos de inclusão são proíbitivos. Acredito que, num futuro próximo, haverá pagamento pela qualidade da produção, o pescado produzido em condições mais ambientalmente corretas terá amiro valor, aí então estes artificions para diminuier a quantidade de nutrientes terão relação custo x benefício interessante. Os produtores de pescado são muito cuidadosos com a qualidade da água por estes organismos são muitos dependentes do ambiente e os primeiros prejuízos, decorrentes de variações fora do aceitável, acontecem na criação.

F&F - De que maneira a qualidade da ração pode interferir na qualidade do pescado?

João Manoes - As rações são, conforme dissemos anteriormente, a principal fonte de nutrientes para a água de cultivo e portanto, quanto melhores, menos fezes e menos aporte de nutrintes. Se houver quantidade excessiva de nutrientes na água, pode haver proliferação de algas que podem provocar intoxicação nos animais e sabor desagradavel (off-flavor). O balanceamento inadeuado da ração e/ou quantidade oferecida interferem no teor de gorduras viscerais e na quantidade de músculos, prejudicanto o rendimento de filés e o sabor. O objetivo é a produção de músculos com gordura adequada. Na região Sudeste do Brasil, a maior parte do pescado é comercializada viva, seja para pesque-pagues ou para processadores de tilápias, que também preferem receber os peixes vivos, desta maneira a ração e o manejo alimentar passam a ter uma outra importância, que é dar condições de saúde para que os peixes suportem o transporte, que é feito em caixas apropriadas e com oxigenação. Para os frigoríficos, basta que cheguem vivos e suportem o período de depuração, mas para a pesca esportiva é fundamentarl que cheguem com saúde e apetite para avnaçar nas iscas dos pescadores. Há preocupação com metais pesados, mas este problema está mais relacionado a qualidade da água usada na ciração, as vezes contaminada por esgotos e/ou lixo urbano e industriais.
F&F - Quais são as recomendações para reduzir ou eliminar rsicos de prejuízos ambientais e/ou da qualidade do pescado?

João Manoel - Existem riscos de vários origens, a introdução de espécies exóticas é um deles e deve ser coibida, mas sem radicalismo. Algumas espécies já se tornaram epidêmicas em várias regiões, como o caso da tilápia, origininária da África. Existem, ainda espécies brasileiras que ocorrem em uma bacia hidrográfica e hoje estão em outras, que não as de origem, é o caso da Pescada do Piauí (conhecida como corvina no Sudeste) e do Tucunaré. Estas espécies não foram introduzidas para aquacultura e sim para repovoamento de hidrelétricas. Hoje sabemos ter sido um erro, mas na época da introdução era considerada uma grande saída para as represas. Precisamos pensar em produzir alimento e a decisão de usar espécies exóticas dee levar isto em conta, introduzimos cavalos, bovinos, caprinos, suínos e muitas espécies vegetais, entre elas as brachiárias, a soja, o café, etc. Precisamos desenvolver as espécies locais com potencial para aqüicultura, mas não podemos desprezar o avanço (nutrição, manejo, melhoramento genético, etc.) que já existe para espécies de fora e podem se adaptar às nossas condições, e controladamente, podem gerar emprego e renda. A alimentação inadequada pode gerar efluentes em quantidades maiores que as necessárias para aprodução e perda da qualidade do pescado, principalmente pelo "off-flavour" e aumento das gorduras viscerais. Para a diminuição dos efluentes pode-se utilizar a recirculação da água e dever-se estimular o tratamento dos efluentes gerados, para não devolver ao ambiente água da pior qualidade que aquela da entrada.

F&F - Quais os procedimentos que devem ser adotados em relação ao uso de produtos no controle de doenças, para evitar o "arraste" de resíduos a outros mananciais?

João Manoel - O primeiro é respeitar recomendações de fabrincantes, não utilizar defensivo não autorizado ou indicado para outras espécies. Respeitar dosagens e período de carência é fundamental. Sempre que for possível, seria interessante reter a agua tratada para que o principio ativo se decompusesse. Ao ser eliminado no ambiente, provavelmente terá atividade sobre os organismos naturais provocando problemas como desenvolvimento de resistência. A melhor atitude é prevenir, infelizmente é muito comum se observar transmissão de doenças e parasitas através do transporte de peixes vivos. Deve-se dar preferência ao uso de defensivos de pequeno poder residual, sendo rapidamente transformados em substância inofensiva ao ambiente, ao homens e aos peixes.

F&F - Qual a perspectiva da Aquacultura no Brasil com relação a produção decarne dentro dos Padrões Globais de Segurança Alimentar?

A aquacultura é atividade relativamente nova no Brasil e, com exceção do camarão, a produção é feita para atender o mercado doméstico. Apesar de ter crescido muito, a exportação de tilápias ainda representa pouco em relação ao total produzido. Não há outro caminho a não ser cumprir as exigências dos clientes, somo os maiores exportadores de frangos e carne bovina do planeta, temos potencial para sermos também, os maiores em aquacultura. Os nossos compradores de frango e bovinos têm sua exigências cumpridas, por isso sou otimista com relação ao atendimento dos Padrões Globais de Segurança Alimentar. A Aquacultura vive a passagem da experiência para a profissionalização, é crescente a preocupação com o ambiente, a qualidade do pescado, etc. O Governo deve apoiar e fazer sua parte, o Sindirações participou ativamente da certificação do frango brasileiro e pode contribuir, também com a certificação do pescado. Estávamos correndo risco de ter o camarão brasileiro barrado na Comunidade Européia por falta de controle de resíduos, no entanto em 30.07.2006 chegou a carta do FVO (DG SANCO) aceitando o Plano de Ações encaminhado pelo MAPA. Há que se colcoar este plano de ação, começar a sortear amostras e gerar resultados para que se demonstre que o PNCR está funcionando.

Comentários Alimentrace:

As exposições feitas por este profissional, bem como os demais que também participaram deste foro, foram tão relevantes para a inclusão de nosso tema - rastreabilidade - na atividade aquacultura.
Neste campo a rastreabilidade poderá conferir ao produto nacional uma visibilidade melhor, de maneira mais adequada ao que o consumidor Europeu está procurando. A rastreabilidade vai conferir melhor entendimento dos cuidados que hoje já existem na produção de peixes, seus controles de manejos conferindo ao consumidor maior segurança, e um conforto maior ao consumir produtos de origem brasileira.



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